segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AVISO

Quero distância
das facas que cortam
sinais de lonjura,
das penas que cantam
limites do voo,
dos dedos que apontam
caminhos do outro,
das rezas que calam
gritos da mente,
das cordas que amarram
perfumes do verbo,
dos olhos que lançam
flechas do abismo,
das mãos que devoram
seiva ascendente,
dos braços que abraçam
porções do vazio,
das setas que apontam
fatias do tempo,
anzóis invertidos
que roubam certezas,
dos gestos viciados
que fogem do cio,
dos passos que afastam
surpresas do cais,
do intruso que encobre
caminhos do sol,
do profeta que habita
a borda do cale-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário